A Inovação Continuada Chegou. E os Governos Com Isso?


As novas tecnologias, cada vez mais baratas e poderosas, abrem espaço para que um punhado de ideias, antes consideráveis técnica ou financeiramente inviáveis, tornem-se muito rapidamente negócios rentáveis.


Por exemplo, quem poderia imaginar que a Netflix, empresa que surgiu nos Estados Unidos em 1997, como uma "simples" locadora de DVDs online por correio, fosse se tornar uma das 500 maiores empresas do mundo em valor de mercado, de acordo com o ranking da Forbes, a partir da viabilização de um sofisticado serviço de vídeo em "streaming" que conta hoje com mais de 60 milhões de usuários no mundo?


Como este, diversos serviços disruptivos, antes muito raros, começam a surgir de forma cada vez mais frequente, colocando em xeque modelos de negócios centenários que pareciam imbatíveis.


Como isto afeta os governos? De muitas maneiras. Citarei duas, que me parecem as mais importantes.


Exercício do poder de atração


Atrair essas empresas, quando ainda nascentes, as chamadas startups, significa olhar para o futuro, de modo a fomentar, hoje, o emprego mais sofisticado do amanhã. Para seduzi-las, no entanto, não basta seguir os modelos consagrados para trazer indústrias tradicionais já consagradas. Empresas nascentes buscam políticas públicas bem distintas, envolvendo a oferta de espaços compartilhados de trabalho, ampla cobertura de banda larga, qualidade de vida, ambientes abertos à inovação, capacitação para novas habilidades, entre outras.


Exercício do poder de regulação


Novidades disruptivas, normalmente irão se chocar com atividades tradicionais já regulamentadas. É inevitável que surjam conflitos que vão requerer dos governos adequar a velha legislação a um novo mundo onde o fluxo de novidades será contínuo e, tal qual um tsunami, devastador.


Regular esse quadro não será tarefa fácil. Envolverá equipes ultra qualificadas em novas tecnologias e modelos de negócio, capacidade de negociação, visões multidisciplinares do problema e por aí vai. Um caminho, no entanto, deve ser descartado: a proibição. É inútil tentar parar o tempo. Ainda não vi dar certo.


O caso da Uber, que não sai das manchetes nos últimos tempos, é emblemático. Dá para ignorar uma empresa que de acordo com os dados publicados em editorial da Folha de São Paulo do dia 21 de julho já atinge 58 países e 320 cidades, e que, ainda de acordo com a Forbes, tem um valor de mercado girando em torno de US$ 40 bilhões? Para facilitar a comparação, o editorial informa que nesse mesmo ranking a Petrobras aparecia com um valor de US$ 44,4 bilhões.


Para ler o editorial da Folha, na íntegra, clique aqui.

editoria e curadoria: josé antônio carlos  - professor pepe, utilizando a plataforma wix